Entrevista com ex presidente da Anvisa

Ex presidente da Anvisa Farmácia
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Nós recebemos, no final de outubro, o Dr. Gonzalo Vecina Neto, ex presidente da Anvisa e ex superintendente do Hospital Sírio Libanês.

Ele esteve na cidade graças ao Congresso Anapolino de Indústria Farmacêutica e ao Simpósio de Integração Farmacêutica, evento promovido pela coordenação do Curso de Farmácia da FAMA em parceria ao Conselho Federal de Farmácia.

Todos aprenderam muito nesse encontro e agora você também tem uma oportunidade para ler as opiniões desse grande profissional.  Confira a entrevista!

Com a palavra o Dr. Vecina – ex presidente da Anvisa

REPÓRTER

– De que forma o profissional que sai da faculdade pode procurar conhecimento nessa área específica da saúde que trata da área de gestão e administração de setores?

GONZALO VECINA NETO

– De uma maneira geral eu acho que os próprios cursos de formação têm que deixar umas pontas soltas. Acho que é cada vez mais importante, e na área da farmácia é até mais importante, que os profissionais tenham o mínimo de oferta de informações para esse campo da gestão.

Agora, ao sair da faculdade e buscar o seu caminho profissional, a gente tem visto o crescimento das residências multiprofissionais. Eu acho que as residências são uma experiência muito boa.

Eu sou docente, dou uma disciplina que é Políticas de Saúde para Residências Multiprofissionais, são 17, dentre as quais uma é Residência Multiprofissional Farmacêutica. E eu acho que a residência é uma forma importante no processo de preparação profissional, de quem vai para o mercado.

Um outro caminho é o dos cursos curtos, que oferecem conteúdos específicos, seja na área de gestão ou em uma área especifica, como a clínica, laboratorial ou de produção industrial.

O que o aluno tem que ter é a consciência de que ele não sai formado, é um caminho que ele tem para a vida toda. Nós, profissionais de saúde, temos um compromisso de estar continuamente nos profissionalizando.

Tem um outro ponto que eu acho importantíssimo, que é a capacidade que as organizações têm que é que a de transmitir continuamente as informações de conhecimento com seus colaboradores.

As organizações modernas, que estão na fronteira da sociedade, no ponto de vista de prover a sociedade em tudo o que ela necessidade – como é o caso do farmacêutico – elas precisam ter um compromisso de formar continuamente seus profissionais.

Então, basicamente, são organizações que aprendam e disseminem fortemente o conhecimento e seus componentes de tal maneira que eles sejam continuamente melhorados. Então são esses três passos que devem compor o futuro dos nossos graduandos.

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REPÓRTER

– Qual conselho o senhor daria para quem está ingressando agora no mercado de trabalho?

GONZALO VECINA NETO

– Bem, eu acho que tem que ter aí um equilíbrio e um balanço entre ambição e humildade.

O profissional que está indo para o mercado agora tem que ter a humildade de reconhecer que ele é uma coisa nova.

Os jovens, quando saem, saem com um apetite imenso. Ele é fundamental, é a parte da ambição, e ninguém consegue fazer coisas novas sem ambição.

Sejam ambiciosos e tenham vaidade. A vaidade é um sentimento importante, quem acha a gente bonito é a gente mesmo. A gente tem que se achar bonito, gostoso e desejável (risos), mas tem que ter ao lado da vaidade a humildade.

Quem é responsável pela vaidade? É o quão bem nós nos preparamos, então nós precisamos ter uma noção de que nos preparamos adequadamente para enfrentar esse desafio.

Então, seja um bom aluno, um excepcional aluno. Independentemente de onde você for formado, você vai ser reconhecido e vai ter oportunidades.

Por outro lado, seja humilde. Reconheça que você não está pronto e busque ativamente oportunidades para complementar a sua formação. Isso vai ser fundamental para que você seja um ambicioso coerente.

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REPÓRTER

– Na sua palestra o senhor falou um pouco sobre pesquisa e da crise nesse setor. Na sua visão, os jovens que se sentem atraídos por esse caminho podem buscar esse setor?

GONZALO VECINA NETO

– Com certeza. O grande problema da inovação é que a inovação é um grande processo. Então os estudantes precisam procurar organizações que sejam capazes de aprender com os erros e continuar tentando criar as coisas novas, os conhecimentos que irão conduzir as novas invenções.

Isso não é simples e os alunos que vão por essa área tem que ver também que fazer investigação é diferente de fazer uma atividade da sua área. Isso não quer dizer que uma atividade fabril, de chão de fábrica, seja uma atividade rotineira.

Nós somos capazes de enriquecer qualquer coisa na qual nós nos movimentamos. E essa é a mensagem: enriqueça o seu trabalho, faça com que ele seja sempre diferente e produtivo.

Agora, trabalhar com inovação é um desafio a mais porque também exige um outro conhecimento que é o conhecimento de como fazer e responder perguntas. Existe todo um campo de metodologia científica que precisa ser dominado.

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REPÓRTER

– Anápolis é um Polo Farmoquímico, um dos maiores do país. Qual é a perspectiva de mercado para esses Polos que vêm crescendo?

GONZALO VECINA NETO

– Depende do que eles querem. O mercado brasileiro é grande, ele continua com crescimento populacional, há espaço para a produção de medicamentos. Agora, ele está próximo da sua capacidade.

Como se manter à tona de um mercado tão competitivo se você não faz parte das indústrias que fazem inovação? Há vários tipos de inovação que precisam ser feitas.

Inovação vão é só um medicamento novo, você pode também ter inovação quando faz uma fórmula nova, por exemplo. Ou uma adaptação quando o medicamento precisa ser tomado várias vezes ou quando possui efeitos colaterais.

Então existem várias formas de inovar. Então juntas 3 pílulas que os cardiopatas tomam normalmente, também é uma forma de inovar. Mas isso é a partir de pesquisa e investimento.

Então uma coisa é você falar “Eu vou trabalhar no mercado de commodities” e aí então preciso ser mais eficiente, precisa ganhar das outras empresas. Ou então você vai vender inovação. Esses caminhos são simples. A indústria precisa saber o que fazer.

A outra questão é a expansão de mercado. Quem sabe preparar a sua empresa para conquistar mercado internacional. Então é necessário se definir. A questão é que a indústria farmacêutica tem que pensar no “O que quero ser quando crescer?”. E investir nisso, “almoço” grátis não existe.

Gostou da entrevista com o ex presidente da Anvisa, Dr. Vecina? Aqui no Blog da Faculdade Fama temos muitas matérias interessantes e que vão acrescentar à sua vida profissional. Continue acessando!

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